domingo, 2 de março de 2008

A Hipótese Gaia - Uma teoria para a Ilha!

Eu pensei por um tempo sobre isso, sobre a Ilha ser uma espécie de Gaia ou então, por que não, o acesso a esse mistério. Mistério que é uma grande teoria sobre a Terra.

Porém, o Luciano Ferreira, um dos leitores aqui do blog (e participante lá na comunidade Teorias LOST - Orkut) nos enviou a sua "Hipótese Gaia" relacionada à Ilha. O texto é um pouco extenso, mas garanto que é uma recompensa ler todo ele.

Hipótese de Gaia
Luciano Ferreira

Como é de conhecimento da maioria das pessoas, toda obra de ficção tem diversas interpretações, variando muito com o tipo de obra e a mídia, mas sabendo que Lost não deixa passar quase nada que possa ser intertextualizado com o seu multifacetado enredo, venho acompanhando diversas citações que permeiam a série de modo a conseguir alguma intuição sobre os diversos significados da nossa estimada Ilha.

Mas quando assisti aos extras do DVD da 2º temporada, um dos “prodautores” relatou em tom de brincadeira que a Ilha era uma “tartaruga gigante” nadando pelo Pacífico afora, fiquei curioso com essa bobagem nonsense e infantil.

Não tardou para relacionar essa brincadeira com a idéia geral da Hipótese de Gaia, que pra quem não conhece, é um conceito descrevendo o planeta Terra como um organismo vivo, dotada com sistemas auto-reguladores semelhantes a seres vivos, cuja interação entre materiais vivos e não-vivos pode gerar fenômenos regulatórios em seu corpo, tais como o sistema imunológico de qualquer animal ou capacidade de regeneração, portanto pode se comparar então fenômenos meteorológicos, geológicos e afins com as funções de defesa de um organismo vivo.

O ser humano nessa relação (assim como quaisquer outros animais), vive com a Terra/Gaia em uma relação de simbiose, e essa interdependência só funciona de modo equilibrado e “respeitoso”, algo que evidentemente não está ocorrendo nesta fase atual da humanidade e cujos efeitos podem pôr em risco a sobrevivência de boa parte da vida no planeta, senão o planeta todo.

Bem, a questão me levou a imaginar que a Ilha de Lost é uma metáfora/alegoria para a Terra/Gaia, pois diversos elementos da série sugerem um tipo de relação que passa da mera coincidência, mas em especial existe algo na Ilha que nos leva a imaginar que esse amontoado de pedras, plantas e terra tem consciência própria, talvez até racional, não é raro que elementos naturais de uma ordem de grandeza dificilmente controlável pelo homem, se manifestem de modo inequivocamente proposital e calculado.

Minha suposição começa pela idéia de que a Ilha, em seu estado natural, era um local raro onde as forças da natureza se manifestavam de forma especial, com mais intensidade e muito irregular, haja visto que sua formação geológica atual deve ser bem recente, pois o navio Black Rock está em uma parte da Ilha que fica longe do mar e bem arborizada, e também por aparentemente ter espécies de animais desconhecidas. Junte a isso o fato de existirem propriedades magnéticas específicas e de outras características que oferecem diversos benefícios aos seres viventes da Ilha.

Seja lá o que for que existe na Ilha, A Árvore da Juventude, Jardim do Éden, meteoro com propriedades de animação ou coisa que o valha, é o que aparentemente modificou e integrou todas as instâncias naturais, e foi ao menos em parte, “domado” pela Iniciativa Dharma, que a partir desse suposto controle, parece poder manipular uma ampla gama de fenômenos naturais:

-A atmosfera ao redor da Ilha, pois aparentemente diversas aeronaves que passaram por ali foram “abatidas”.
-O mar ou as marés, considerando que Desmond e o submarino dos Outros passaram por uma “tempestade” ou agitação irregular do mar
-Zoologia, basta lembrar da interessante sugestão de interação entre as aranhas e o Lostzilla, no episódio “Exposé” e o nossa tradicional “cauda do tubarão” com o logo Dharma.
-Refração de diversos sistemas de rastreamento, a Ilha aparentemente (diria evidentemente, conforme o interesse das corporações empenhadas em encontra-la) é inume a diversos tipos de sistemas de rastreamento de solo, e não deve ser nada fácil camuflar atividades térmicas, sismológicas e radares de acompanhamento de solo.

Não me parece exagero sugerir que ao interagir com a Ilha, a Iniciativa Dharma aprendeu sobre ela, assim como ela aprendeu sobre as pessoas e suas engenhocas, então não seria difícil que a Ilha tentasse de algum modo se manifestar de modo racional ou ao menos inteligível a algum humano, para comunicar que estava notando uma crescente tendência em “abusar” dessa dádiva, tenha manipulado os Hostis a tomarem o controle dessa grandiosa descoberta científica.

Me parece até possível que a Ilha tenha um sistema auto-regulatório que enquadra determinadas pessoas e eventos como um tipo de doença, tratando logo de provocar uma reação que extraia tal problema de seu corpo, tal hipótese poderia explicar as estranhas mortes causadas pelo Monstro de Fumaça e por alguns dos Outros, embora a Ilha necessite das habilidades manuais e intelectuais do ser humano para se manter livre de interferências maléficas.

Portanto a comparação entre a nossa situação crítica de problemas ambientais e humanos se compara a iminência de problemas que podem surgir na Ilha caso ela seja descoberta pelos “vilões” da trama, pois o equilíbrio entre a Ilha e seus habitantes realmente pode ser uma bela comparação entre aquilo que deveria ser a atitude da humanidade em relação ao seu planeta.

Saindo das comparações práticas entre as características da Ilha de Lost e a Hipótese de Gaia, existe ainda uma relação paralela entre a Mitologia Grega e os personagens da Ilha, que se é proposital ou não, sequer chega a ser o caso, pois é bastante adequada para não ser posta de lado.

Essa analogia trata dos personagens humanos e das “entidades” que participam do espaço narrativo da série:

-A Ilha poderia ser comparada a Gaia, a deusa mãe do mundo que gerava junto com Urano filhos que povoariam seu útero, pois Urano os impedia de sair do ventre da mãe por medo de ser deposto por seus filhos.

-O céu, ou Urano, poderia se referir a uma possível “redoma de proteção” da Ilha, o já citado dispositivo que impede o sobrevôo de aeronaves sobre a Ilha.
Mas além disso, Urano também impedia seus filhos de sairem do ventre de Gaia, o que tem uma boa analogia com a impossibilidade dos losties sairem da Ilha.

-Desmond, o escocês que se acredita ter voltado no tempo, é análogo a Cronos, entidade ligada ao conceito de tempo e filho de Urano e Gaia, que com sua revolta com o pai, conspira junto a Gaia para que ele e seus irmãos possam sair livres do cárcere imposto por Urano. É interessante notar também que Desmond nunca pára ou se compromete por muito tempo com algo ou alguém, sempre está indo adiante, lembrando a urgência infinita do tempo em seguir em frente.

-A queda do vôo 815 semeou a Ilha com novos habitantes, e foi aparentemente causada por um descuido de Desmond, situação que lembra a revolta de Cronos e o golpe cortante no pênis de Urano, do qual caiu sêmem, que por sua vez ao tocar a terra/Gaia gerou novos filhos.

-Os Flashbacks poderiam ser comparados à irmã de Cronos, Mnemósine, deusa da Memória, que em sua constante luga com ele, procura manter guardadas as lembranças e aprendizados que Cronos insiste em destruir.

E por último uma analogia sobre os conflitos com os pais, que a grosso modo pode ser interpretada como o rito de passagem parricida de entre Cronos e Urano, mas especificamente se faz notar pela ausência ou condescendência da figura materna, que a exemplo de Gaia, aflige diversos personagens com essa falta.

Praticamente todas as figuras maternas são de certo modo, inócuas ou passivas, e essa marginalização parece se dar de forma sistemática e premeditada, e desse modo fica evidente que essa ausência só se faria notar por um interesse próprio do espectador, haja visto que esse tema foi muito pouco mostrado na série e com ocorrências esporádicas.

Bem, se a figura materna foi omitida propositalmente em Lost, é justo imaginar que isso é uma parte da trama vindoura que poderá se tornar um tema importante, especialmente se relacionarmos com a questão Gaia/Terra e seus malcriados e anti-ecológicos filhos, pois ao longo da série nos foram dados vários ritos parricidas, ou seja, mudou quem manda, e o que falta agora é uma nova abordagem nessa relação mãe e filhos, sua manutenção e respeito a essa “casa-útero” no qual nós vivemos, tanto na ficção quanto na vida real.

Acredito que nada disso que foi escrito acima, tem a obrigação de se relacionar direta e textualmente com a série, mas levanta abordagens que são imprescindíveis para a compreensão do que é esse fenômeno midiático e suas relações com processos mentais e afetivos, pois a abordagem humana e intertextual que a série nos coloca, pode ir muito além do fútil entretenimento, dando elementos que nos faça refletir diversas realidades sem necessitar de respostas prontas ou apontando caminhos.

Divirtam-se !!


Valeu, Luciano, pelo trabalho e pelas analogias excelentes desse texto! Acredito que veremos algo parecido com isso na série. Pode não ser exatamente assim, mas algumas associações podem ser feitas dessa forma. O melhor é cada um de nós tendo uma visão e absorvendo diferentes tipos de informações para um mesmo evento. Isso é LOST!

Agora esperamos a participação de vocês nos comentários. E claro, se quiser mandar sua teoria para o blog, enviem no nosso email que está aí no Menu lateral...

Grande abraço e namastê!

Leco Leite

Outras teorias no Blog:
- O retorno na DHARMA INITIATIVE!
- A Física explicando a Ilha!
- LOST EXPERIENCE, FIND 815 e LOST!
- Grupos de controle, comunicação e entregas na Ilha!
- Quando Magnus Hanso se torna Jacob!
- O encobrimento do vôo 815!

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