quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

"LOST" e internauta fazem TV do futuro!

Essa matéria foi publicada no jornal "O Estado de São Paulo" no dia 4 de Fevereiro (Segunda-feira), por Gustavo Miller, e fala sobre como LOST inova a forma como vemos televisão. Como temos visitantes fora de São Paulo, então vamos deixar aqui a matéria para que todos possam ler e participar. O Blog Teorias LOST foi um dos citados na matéria.


Na última sexta-feira muitos brasileiros acordaram com os olhos inchados, com cara de poucos amigos, e passaram o dia bocejando. A “balada” dessa turma foi ficar acesa a madrugada toda, com os olhos colados na tela do computador. Tudo para ver o primeiro episódio da quarta temporada de Lost, que estreou, veja só, nos Estados Unidos.

A série, que começou a ser exibida por lá às 23h30 (horário de Brasília) do dia 31, já podia ser vista – legendada – às 4 horas da manhã pelos insones internautas brasileiros. E vários contribuíram com seu conhecimento de inglês para que isso se tornasse possível.

Maluquice? Malandragem? Não, é o futuro da TV. Cada vez mais a televisão será feita em colaboração com os telespectadores-internautas, que não apenas escolherão o que – e quando – assistir, como poderão interagir com seus programas favoritos, enterrando de vez a passividade da TV tradicional.

Tudo “culpa” de Lost. Engana-se quem pensa que a série é apenas uma história sobre sobreviventes de um acidente aéreo em uma ilha deserta no Oceano Pacífico. Lost é um universo que se expande sem parar na internet, onde muitos de seus enigmas são intensamente discutidos.

Os próprios profissionais por trás de Lost criam meios para fazer isso, como fóruns, podcasts, blogs e até games de realidade alternativa. Dessa maneira, a série transforma os fãs passivos de outros tempos em espectadores ativos, que interagem entre si e com a equipe do programa, sentindo-se parte da trama.

Assim, quem acompanhar a série apenas pela televisão não vivenciará toda a experiência paralela que existe além daquilo que é exibido uma vez por semana durante uma hora. Entendeu agora o porquê da correria para assistir à série na mesma noite em que ela estreou lá fora?

Por causa do intenso fluxo de informações e debates sobre o seriado na internet, simplesmente não dá para esperar mais de um mês para assistir a Lost na TV a cabo brasileira. O fã daqui não quer ter esse “delay” em relação ao norte-americano.

Mas peraí: baixar programas de TV pela internet e traduzi-los por conta própria não é ilegal? Ao fazê-lo, o internauta não prejudica a produção do programa e as emissoras que o transmitem?

Essa é uma discussão séria, mas o fato é que, com a popularização da banda larga no mundo, a TV terá de se adaptar. A novela não precisará mais ser depois do jantar; muito menos o Fantástico, no domingo à noite, anunciando com tristeza que o final de semana acabou.

E Lost, ao compreender o fenômeno e tirar proveito dele, está na vanguarda. Nesta edição, o Link se perde em Lost e mostra como a nova televisão está sendo feita por nós, internautas, junto com eles, roteiristas e produtores.

Namastê!


A revolução já está sendo televisionada

4, 8, 15, 16, 23, 42 - The Beginning of the End, o primeiro episódio da quarta temporada, foi ao ar na quinta-feira; graças a greve dos roteiristas de Hollywood só foram gravados oito dos 16 episódios previstos para 2008

Criadores de Lost expandem os limites da série para a internet, com games online e episódios para baixar no celular

Todo mundo ouviu falar da greve dos roteiristas de Hollywood, que já dura três meses. Uma das principais exigências deles é obter maior participação nos lucros da distribuição de filmes e seriados por meio das “novas mídias”.

Os roteiristas de Lost não escrevem apenas o material exibido na TV. Já fizeram “mobisódios”, pequenos episódios para serem vistos em celulares, e ajudaram a criar games de realidade alternativa e até um jogo para iPod baseados no seriado.

Há bastante tempo os responsáveis pelo programa se preocupam em oferecer conteúdo extra na rede – mesmo que gratuitamente. Ou seja: a produção de Lost percebeu que o futuro da TV definitivamente passa pela web.

Os produtores sabem que quem assiste o seriado não é o “Homer” do William Bonner. Em 2005, o apresentador global se referiu ao chefe da família Simpson para descrever o telespectador do Jornal Nacional, que se contenta em ficar no sofá, apenas consumindo aquilo que lhe é mostrado na tela.

ESPECTADOR 2.0

O fã de Lost é o “espectador 2.0”, que quer interagir com a história e faz isso pela internet. Não é à toa que a série tem se especializado em inserir os chamados “easter eggs” (pistas escondidas) no meio das cenas.

Quem vê Lost não assiste a cada episódio apenas uma vez, e sim várias, pois sempre é possível descobrir mais uma informação que ajude a decifrar o que acontece na misteriosa ilha.

Um exemplo de “easter egg” foi exibido no final da terceira temporada. Havia a expectativa de que finalmente a série revelaria se Jacob, o líder dos Outros, de fato existia. A cena, exibida de relance, só permitiu ver uma sombra de Jacob, mas fãs tiveram a paciência de pausar a imagem, salvá-la no micro e repeti-la em câmera lenta.

Para alguns, o vulto era de Christian Shephard, o falecido pai de Jack. Para outros, Locke no futuro! O debate invadiu fóruns, comunidades e blogs e serviu para aumentar o poder midiático de Lost.

Outro exemplo de como é importante a relação entre os fãs e os criadores da série é o podcast (programa de rádio baixado pela internet) oficial de Lost. Nele, os produtores Carlton Cuse e Damon Lindelof comentam o episódio que acabou de ir ao ar e respondem às milhares de teorias enviadas pelos fanáticos espectadores.

Já o fórum The Fuselage(www.thefuselage.com) foi criado pelo setor de criação de Lost para os profissionais da equipe trocarem figurinhas com os seguidores da série.

REALIDADE ALTERNATIVA

Outra experiência bem-sucedida de como deve ser um programa de TV do futuro são os games de realidade alternativa (em inglês, ARGs) Lost Experience, de 2006, e o Find 815, que terminou na semana passada.

ARG é um jogo de ficção interativa que se utiliza de elementos do mundo real. No caso de Lost, é uma ficção dentro de uma ficção. O desafio de Lost Experience era desvendar os mistérios por trás da Fundação Hanso, responsável por financiar a Iniciativa Dharma. Quem apenas assiste à série pela TV sabe apenas que a fundação é um centro de pesquisas que existia na ilha antes dos sobreviventes do vôo 815 terem chegado lá. Mas os jogadores de Lost Experience tiveram acesso a diversas informações sobre a Iniciativa Dharma e ao significado dos onipresentes números malditos.

O game se desenrolou em uma plataforma multimídia que usava todas as ferramentas disponíveis na internet, já que dicas eram deixadas em blogs, vídeos do YouTube, podcasts e até mesmo e-mails. Na época, Cuse disse que a internet foi o melhor meio descoberto pelos criadores da série para explicar a história, que já não cabia nos limites do programa de TV.

Em Find 815, foram reveladas informações inéditas sobre o navio Black Rock. Assim como no caso do outro ARG, não foi fácil jogá-lo. Em determinado momento era necessário salvar uma imagem, congelá-la e dar um zoom para, então, perceber que ali havia uma palavra. Após uma consulta à Wikipedia, descobria-se que era o nome de um submarino.

Em outro momento, números aparentemente embaralhados na verdade eram uma coordenada para se colocar no Google Earth e descobrir a possível localização do barco! Também há rumores de que alguns personagens e mistérios revelados em Find 815 serão importantes para o futuro da trama.

Os próprios fãs questionam até que ponto essas informações extras terão mesmo relevância para o desfecho da série. Ou serão apenas parte de uma grande estratégia de marketing para aguçar o interesse pela nova temporada?

J.J.Abrams, a mente por trás de Lost, é um expert nesse tipo de estratégia. Para divulgar seu recém-lançado filme Cloverfield, que narra a invasão de Nova York por um monstro, ele disseminou na web durante meses notícias e vídeos sobre um tal “novo Godzilla".

Em entrevista ao Link, o professor de televisão da Universidade de Brunel, David Lavery, autor de dois livros sobre Lost, disse que todos esses filhotes da série foram criados para envolver e alimentar os seguidores da “religião Lost”. “Séries que no futuro ‘pegarem’ como Lost também precisarão do mesmo tipo de extras para não perderem o público”, afirma. É ver para crer.

Legenda fica pronta 4 horas depois da exibição nos EUA

Na agenda do fã de Lost que assiste à série pela web, a quarta temporada começou na última quinta-feira. No calendário de quem a segue pela TV a cabo, a nova temporada terá início em um mês, no dia 3 de março. A partir de 26 de fevereiro o espectador da TV aberta poderá ver uma nova temporada de Lostmas, pasme, a terceira!

“Por isso não há como não baixar Lost pela internet. Como a TV americana está cada vez mais global, o resto do mundo tem de se virar”, diz Leandro Leite, o Leco, um dos blogueiros do Teorias Lost.

O Link não está levantando a bandeira da pirataria nem estimulando que todo mundo saia baixando Lost pela rede. O que queremos mostrar é que não dá mais para tratar o espectador de hoje – que tem acesso à banda larga e quer estar por dentro de tudo o que acontece mundo afora – como o de alguns anos atrás.

Nos EUA as grandes emissoras já perceberam essa realidade e cada vez mais disponibilizam seus programas na web. Lost, por exemplo, pode ser visto por streaming no site da ABC, sem custo. Mas só os norte-americanos têm acesso.

Há duas semanas a HBO começou a permitir que seus assinantes nos EUA baixem de seu site, gratuitamente, uma coleção de 600 filmes e seriados. Um mês após o download, os arquivos são automaticamente eliminados do computador.

Por aqui a coisa ainda engatinha para quem deseja ver seriados e filmes na web de forma legal e gratuita. O Terra TV (www.terra.com/tv) é uma opção, mas apenas para rever alguns episódios de Lost.No site a primeira temporada inteira está no ar, e a segunda começou agora. O portal promete disponibilizar o primeiro episódio da terceira temporada junto com a Globo, no dia 26.

A explicação é a seguinte: ao comprar os direitos de transmissão de um programa, deve-se escolher se o conteúdo será pago ou gratuito, seja ele para a televisão ou para a internet. Como o Terra quer exibir Lost “na faixa”, não pode fazê-lo antes da emissora global.

Mas por que demora tanto para a TV brasileira, a cabo ou abertatrazer os novos episódios de Lost? Isso depende dos direitos de transmissão, que no Brasil seguem o seguinte ritmo mercadológico: a série sai primeiro na TV fechada, depois em DVD e finalmente na TV aberta. “O conceito de direitos de transmissão precisa evoluir. O espectador hoje decide o que e quando quer assistir, o controle está nas mãos dele”, diz Paulo Castro, diretor geral do Terra.

Mas será que a TV, ao migrar sua programação para a web, perderá parte de sua audiência? Afinal isso ocorreu com a ABC em 2006, justamente depois de liberar Lost em seu site. Para o canal a cabo AXN, que exibe Lost no Brasil e sofre com as legendas amadoras, isso não acontecerá necessariamente.
“Você vê Lost várias vezes: na internet, na TV e no DVD. É um bichinho que contamina”, diz Stefania Granito, gerente de marketing dos canais Sony.

Contamina mesmo. Tanto que, entre todas as séries norte-americanas que costumam ser baixadas e legendadas por brasileiros, Lost é disparada a mais popular.

Baixar séries e legendá-las é algo bem comum no País. A diferença é que um episódio de Grey’s Anatomy ou House pode demorar alguns dias para ser legendado. Lost, não. Ele precisa ser feito no mesmo dia, senão outro grupo de legendagem o fará – e há vários por aí.

A mais famosa das equipes de tradução de Lost, que se chamava The Others, não existe mais. Seu criador, o designer Daniel Melo, de 28 anos, teve de abandonar o ofício em 2006, após receber um comunicado da Associação de Defesa da Propriedade Intelectual (Adepi). O orgão ameaçou processar o fórum do grupo www.lostbrasil.com se a prática não fosse suspensa. “As legendas geralmente ficavam prontas quatro horas após o episódio ser exibido. Nosso recorde foi de 1 hora e 30 minutos”, conta.

Com The Others fora, surgiram vários grupos dispostos a tomar o seu lugar. V.A., de 26 anos, que já faz legendas há sete, acabou de criar a equipe Sci Fi Team apenas para legendar Lost – usando como gancho o lançamento de um novo portal de séries. A idéia é aproveitar o prestígio de Lost para alavancar as visitas ao site. “Ele levanta até defunto! Já recebi um e-mail de um grupo rival, que ameaçou derrubar o meu site na quinta-feira”, afirma.

Legendar é um trabalho coletivo ardoroso. A Sci Fi tem nove membros, que dividem entre si as seguintes tarefas: tradução, sincronização e revisão final. Para a legenda ser feita rapidamente, é crucial ter em mãos o arquivo de texto em inglês (closed caption) do episódio.
No dia 31, o parceiro americano que mandaria o closed caption para a Sci Fi Team “furou” e o jeito foi fazer a tradução a partir das falas dos personagens. Quando isso acontece, alguém que possua internet bem rápida e já tenha baixado o episódio pela rede “ripa” o áudio e envia o arquivo para os tradutores.

No final, o arquivo de texto com as legendas é salvo no formato SRT e liberado na rede. Quem já estiver com o episódio baixado (no formato AVI) e tiver um programa que suporte a extensão de arquivo SRT conseguirá ver Lost com tradução.

Entretanto baixar o episódio logo após ele vazar na rede exige conexão ultraveloz. Quem não tem esse luxo precisa de uma ajudinha dos que têm. Esses últimos salvam o episódio, já legendado, em arquivos RMVB – mais leves, mas com qualidade de imagem inferior. E disponibilizam as cópias pela web geralmente um dia após Lost ser exibido nos EUA.

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E aí, o que vocês acharam da matéria e o que pensam sobre o assunto que ela também aborda: a questão dos downloads!?

A TV precisa, realmente, se adaptar ao novo mundo da internet...

A matéria tem também duas entrevistas com o Carlos Alexandre do "LOST in LOST" e com Davi e Juliana do "Dude, we are LOST!".

Grande abraço e namastê!

Leco Leite

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