sábado, 26 de julho de 2008

Lost é um Arquivo X?

Aproveitando que ontem fui ver X Files - I Want To Believe. A mais nova (e fraca) incursão da série ao cinema, estou reeditando um texto que escrevi na época da 2a temporada. Ligando ambas séries, já que JJ Abrams não esconde de ninguém o fascínio e a influência que Arquivo X tem sobre Lost e também, apesar dele negar, Fringe. Quem já viu o piloto sabe.

Se o termo mitologia existe hoje, podem agradecer a AX. Foi uma série que revolucionou a TV americana, que fomentou a "indústria " do sites especializados(na época não existiam blogs) e fóruns (até via mail) de discussão.

Ou seja, se Lost existe, é porque existiu antes X Files.




Texto escrito em 2006.

Quem acompanhou Arquivo X em suas intermináveis 9 temporadas, provavelmente hoje vê Lost. E quem vê Lost, provavelmente, já ouviu falar em Arquivo X.

Não é possível compará-las em muitos aspectos, mas há alguns pontos em comum: ambas abordam jornadas pessoais - Mulder e o “Ets”, Jack e cia. e a ilha, ambas lidam com o desconhecido, o “misterioso”. Em AX, tudo era uma conspiração governamental para encobrir a verdade da invasão alienígena e suas experiências com a raça humana. Em Lost, pode ser uma conspiração governamental ou militar, pode ser um reality show, podem ser tantas coisas.

Mas o que une essas duas séries, sem dúvida, é a mobilização dos fãs em criar teorias.

Fã que é fã, não deixa lacunas. As teorias pegam emprestadas teses das ciências humanas e exatas. Mas mesmo entre tantas, existem hierarquizações impostas pelos fãs, assim, se ainda existe alguém que acredite que a ilha é um purgatório, ou que eles fazem parte de um reality show, essas pessoas vão “sofrer” por não conseguir enxergar além. Até mesmo para um seriado que aborde questões fora do comum, é preciso ter algo com “pés no chão”, ou seja, até para as teorias mais absurdas existem fundamentos lógicos.

Não vá pensar que Lost tem um pé na mediunidade, pq, ao que parece, Allan Kardec não é usado como referência bibliográfica para os teóricos da série.

Tanto AX, como Lost, respondem questões à conta gotas, não há muitas revelações, algo muito bem cuidado pelos produtores, dando ao público um poder quase infindável de participação e elaboração. Ver Lost é uma experiência participativa, poucos ficam imunes em formular teorias, em desencadear processos, em conhecer personagens, em dar um pitaco.
Essa participação é necessária, com a invasão dos programas ao estilo de realitys show, a audiência não quer mais saber apenas de dramas no qual ela somente assiste. Ver Lost é pensar.

Lidar com um mundo que não é o nosso, com questões maiores do que “quem matou quem”, sempre foi à premissa dos seriados “fora do comum”. Apesar de uma possível saturação em não responder a quase nada, Lost ganhou fôlego para a 3ª temporada depois de terminar com seus “heróis” pegos numa encruzilhada pelos Outros. Quem é vilão? Quem é mocinho? É possível usar esse maniqueísmo em Lost?

Em AX, o vilão tinha carne, osso e alma. Canceroso representava o governo americano e sua capacidade de pisar em tudo e todos. O “vilão” em Lost está dentro da ilha?
Os Outros são uma entidade no plural que usam roupas puídas e parecidas (como um uniforme), são destemidos, mas temem revelar seus nomes verdadeiros. Dentro do microcosmo da sociedade da ilha, eles não podem ser um. Outros, palavra que determina não apenas um, mas muitos, não apenas aquele, mas todos. Um termo claro de não a individualidade, mas ao coletivo.
Ou será que todos os personagens carregam em si a complexidade de ser não apenas vilão ou mocinho, bem e mal, mas uma diversidade de personalidades que podem ser tudo isso ou fazer parte de tudo o que acontece a eles? Será que Lost poderá ir além do legado de AX?

Acredito que sim, e que Lost não dure mais que cinco temporadas. E que seu elenco multi - étnico, tão universal, consiga crescer nas histórias, que Sayid recupere sua força, depois de ter ficado tão fragilizado com a morte de Shannon, que Locke volte a ser o homem místico e obstinado de outrora e que, Jack, Kate e Sawyer, segurem a onda e não caiam na chatice do triângulo amoroso e suas armadilhas. Enfim, que Lost, assim com AX conseguiu por cinco anos (deixando os outros quatro como um absurdo total) resista aos clichês ou que, pelo menos, se aproprie deles como algo divertido.

Se Lost é um AX? Bom, Mulder diria que sim...



Danielle M

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