quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Lindelof fala sobre erros na produção e os spoilers!


Damon Lindelof deu uma entrevista para o site The Watcher, traduzido pelo Séries ETC.

Leia abaixo o que ele diz sobre spoilers e críticas sobre LOST.



O que você faz quando está na sala dos roteiristas e há várias opiniões diferentes sobre o que fazer com os personagens e tramas?
Você tem que pensar: "O que eu acho que é legal?". Às vezes a idéia que se tem por lá é bem executada, como a do flash-forward no fim da terceira temporada; e outras vezes você tem idéias que são bacanas mas na execução, saem horríveis.

Um exemplo foi a do funeral de Coleen, em que Ben, Jack, Juliet e os demais Outros usaram túnicas brancas numa espécie de ritual. Foi uma das coisas mais horrendas que já vi na vida.

Sinto que, às vezes, os fãs não julgam a idéia, mas sim a sua realização. E você não pode deixar os fãs tomarem as rédeas da história. Você precisa continuar a correr riscos. Se você não fizer isso, os fãs dirão: 'A história está lenta, e nada empolgante está acontecendo".

Há uma batalha constante entre o desenvolvimento dos personagens e o andamento da história, ou vocês conseguiram achar um equilíbrio?
Agora, o ritmo da trama mudou completamente. Não é uma série diferente, mas todas as referências da história mudaram. Quando se fala em flash-forwards, a referência muda totalmente, pois você está mostrando ao público o ponto "A", que é o que acontece na ilha, e o ponto "Z", que são os acontecimentos dos personagens depois que saíram dela. Mas os espectadores não sabem o que aconteceu entre os pontos "B e "Z".

Por isso, quando você vê os flash-forwards, há um componente emocional semelhante aos dos flashbacks, mas há também uma ligação diferente e maior com o roteiro, pois você fica se perguntando: "Como eles chegaram até ali?". Cada frase é uma pista para o trajeto entre os pontos "B" e "Y". Você tem que assistir à série de uma forma completamente diferente.

Daqui para a frente nós veremos uma transição gradual para um maior número de flash-forwards em "Lost"?
Eu não quero dizer. Sinto que, com as novas regras adotadas na série, tentar perceber isso faz parte da diversão da nova temporada. E tudo que eu devo dizer é que nós não mostraremos mais flashbacks que não sejam relevantes à trama principal da ilha. Por exemplo, Juliet é uma personagem que ainda tem histórias de seu passado ainda não contadas.

Repetindo, nós não eliminamos os flashbacks, mas só os faremos quando se forem relevantes à história principal de "Lost".

Vamos falar um pouco da sensação de posse que os fãs têm por suas séries favoritas. Desde o começo da série os produtores se expuseram, interagindo com os fãs e estipulando um limite para atender aos desejos deles. Mas de vez em quando vocês não ficam sentidos quando o público da série faz críticas negativas?
Sim, mas você acaba se acostumando, sobretudo quando consideramos a outra alternativa, que é a de ninguém ligar para seu programa... E quanto mais longa a série é, mais exigentes os fãs ficam. É natural. E, verdade seja dita, a resposta do público fez a série ficar melhor.

O fato de que podemos ser crucificados se fizermos um péssimo trabalho nos motiva a fazer o melhor. Não é sempre a crítica mais construtiva do mundo, mas às vezes é bom ouvi-la. Sabemos que o episódio em que Jack empina uma pipa na Tailândia ("Stranger in a Strange Land", nono episódio da terceira temporada) não foi bom; e se em vez de "Isso é terrível e vou parar de ver a série" os fãs tivessem dito que o episódio "Não foi tão ruim", provavelmente nós ficaríamos preguiçosos.

Aquele foi o flashback errado, considerando que, na ilha, Jack estava preso? Jack ainda era para estar preso no nono episódio? Escalamos mal a tailandesa que namorou Jack (Bai Ling)? Provavelmente, e o mesmo aconteceu com a atriz que viveu a xerife dos Outros. Todas, repito, foram boas idéias que "despencaram" na hora de serem executadas.

Há momentos em que as pessoas ficam loucas por um personagem ou uma trama faz sucesso com os fãs e vocês pensam: "Sim, vamos explorar mais isso"?
Sim, claro. Mas você já sabe o que funciona e o que não dá certo. Não consigo pensar em nenhum exemplo em que pensamos estar fazendo algo fantástico e os fãs odiaram, ou pensamos que estragamos algo, mas os fãs acabaram gostando. Nós somos os nossos críticos mais severos.

Qual a sua opinião sobre os spoilers sobre a série?
É complicado. Proteger os segredos de "Lost" tem sido... Bem, você não pode governá-los. O problema é que aqueles que os divulgam não têm a dimensão exata do que significam, pois muitas vezes não leram os roteiros na íntegra nem viram os episódios, e às vezes soltam informações importantíssimas sem se darem conta disso.

E sobre a sensação de "estarem sendo enganados" que parte da crítica e do público já chegaram a manifestar a respeito de "Lost"?
Nós somos como treinadores, e nosso time é "Lost". Quando o técnico de um time perde um jogo, ele não diz que tinha uma péssima tática. Ele diz que algo deu errado, e que as coisas não saíram como foram planejadas. Eu nunca fiz um episódio ruim de propósito, mas há episódios ruins. Mas a realidade é que ter uma base engajada de fãs discutindo isso é importante.

Sobre os críticos, penso que os melhores são os que escrevem bem. Quando um crítico escreve muito bem, fica fácil para os produtores e roteiristas encontrarem o que poderiam ter feito de forma melhor. Sinto que os piores críticos são os que dizem, "Veja o que eu faria", ou "Aqui está o que eles deveriam ter feito". Os problemas falam por eles mesmos. É duplamente frustrante para mim ler uma análise do tipo, "Dã, eu sabia que Nikki e Paulo eram um erro". Mas esse é o trabalho de vocês. Vocês não são os "cheerleaders". Vocês são os críticos.

Gostei da entrevista e do reconhecimento de alguns pontos por parte dele. E você o que achou!?

Grande abraço e namastê!

Leco Leite

1 Comentários:

Anônimo disse...

Legal a entrevista e o blog. Visitarei sempre.

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