terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Lost Magazine Entrevista - Michael Emerson e Tania Raymonde

Olá pessoal! Felipe na área novamente, dessa vez com uma recente entrevista para Lost Magazine com Michael Emerson (Ben) e Tania Raymonde (Alex). Hoje publico a 1ª parte. Vamos a ela:



Lost Magazine – Como vocês se sentem em relação a 3ª temporada, onde seus personagens se tornaram muito mais expostos?

Michael Emerson –
Foi uma surpresa para mim, pois eu não tinha nenhuma expectativa de me tornar um personagem fixo em uma série – certamanete um convidado.


Tania Raymonde – Eu adorei que tudo aconteceu naturalmente. Alex começou a aparecer de novo no início da 3ª temporada e então a história a colocou na direção certa. Muita coisa aconteceu nesse ano e ela evoluiu muito.

Quais foram os maiores choques que vocês levaram nessa 3ª temporada?

TR – Acho que uma das mairores surpresas para mim, inicialmente, foi descobrir que eu era filha de Ben. Ao final da 2ª temporada eu achava que talvez eu fosse uma das pessoas vivendo com os Others, mas não imaginava ter qualquer ligação com Ben. Então, a partir do início do ano, isso deu mais peso ao personagem e eu fui capaz de achar um foco para a minha rebeldia: contra meu pai.

ME – Para mim, foi a cena na cabana de Jacob. Será que é possível haver pessoas mortas em um mundo onde todos estão mortos? Existem muitas camadas aqui. Eles intencionalmente decidiram colocar alguém naquela cadeira – eu vi em todo lugar na Internet, as pessoas congelaram o quadro paa ver a imagem. Ademais, tem a voz. Quem disse “me ajude”? o que significa tudo aquilo?

Apesar de existirem muitas questões não respondidas em relação à paternidade/maternidade de Alex, como vocês reagiram inicialmente à conexão ‘pai e filha’?

TR – Acho que ficamos ambos surpresos! Eu tinha lido o script e algumas pessoas mencionaram que talvez isso continuasse, mas você não sabe realmente até até ler as páginas.

ME – Bem, todos os dias eu leio o script ou me aprofundo em uma cena e penso, “Oh, não é bem o que eu pensei que fosse.”

TR – Quando comecei a fazer cenas com o michael eu pensei, “Isso é demais, pois me dá uma chance de trabalhar com Ben!”

...Que é uma pessoa bem assustadora, você não acha, Michael?

ME – Eu apenas tento representá-lo simples e fervorosamente, e então deixo as fichas caírem onde caírem. O quadro moral, ético e sentimental da série muda um pouco toda vez que eu represento. No entanto, eu sou um bom sofredor. Não sei se foi a minha criação católica ou sei lá, mas pra mim é fácil imaginar dor física!

TR – Eu acho que é isso que irrita Ben e também é o que ele gosta na Alex de uma maneira – ela é um personagem frustrante, intocável na perspectiva de Ben. Ela realmente consegue apertar os botões certos de Ben e, espero, não ser punida ao máximo, como outros do círculo poderiam ser. Essa é a coisa mais interessante e inspiradora em Alex, definitivamente.

ME – O problema com Ben é que eu tenho uma tendência a não pesquisar para atuar. Digo, mesmo se eu interpretasse uma figura histórica como Oscar Wilde – que eu interpretei – ou Henrique IV, você pode ler bastante a respeito, mas acaba não sendo proveitoso porque você é somente responsável pelo retrato que está no seu texto. Você não precisa saber muito sobre o Henrique IV real para interpretar Henrique IV de Shakespeare, porque tudo que você precisa saber é o que Shakespeare escreveu, basicamente. E isto tem me servido muito bem em Lost, entre as surras, as amarrações, os tiros e todo esse tipo de coisa.

TR – Acho que um dos maiores mistérios é como Alex se sente em relação a Ben. Apesar de tudo, acho que Ben realmente se preocupa com Alex. Eles obviamente tiveram um grande problema, mas apesar de tudo que Alex fez para irritá-lo eu acho que, de uma maneira estranha, ele a ama como um pai ama uma filha.

ME – Esse foi um elemento diante do qual eu tive que parar e pensar, “Ok, eu preciso colorir isso dessa forma agora. Este não é o mesmo Ben, o mestre do xadrez que temos visto o tempo todo.” Acho que sua impiedosidade é o seu desespero.

TR – Uma das coisas mais importantes para mim ao interpretar Alex é que eu adoro a coragem dela. Ela é extremada e tem muita coragem. Eu disse a mim mesma que ela acredita em tudo que está fazendo e ela vai fundo, 100%. Ela tem uma clara noção de certo e errado. Ela luta pelo que ela acredita e está tentando fazer o que é certo no contexto dessa loca vida na ilha que ela está vivendo.

ME – Esses elementos trazem ao final da temporada muita ferocidade e capacidade de melhorias.

Quais foram, na sua opinião, os seus momentos-chave esse ano, Tania?

TR – No início do ano, Alex tinha uma tendência de ficar fuçando por aí, tentando tirar informações de Jack, Sawyer e Kate. Eu aprendi muito com esses atores porque eles ficam tão à vontade com cenas de ação e como se movimentar em cena. Alex estava tentando fazer coisas sem que seu pai soubesse. A sua outra grande razão para agir foi que ela estava desesperada para encontrar seu namorado que havia sido capturado, Karl. Tudo foi crescendo e, com o passar da temporada, ela suspeitava ainda mais de Ben, questionando seus motivos e revoltando-se contra ele ainda mais. Eu achei Not In Portland um episódio muito singular. Houve muita ação, mas também houve cenas onde eu explicava o que eu estava fazendo – muita articulação e pedidos de ajuda. Depois ainda mais ação quando vamos resgatar Karl, mais aquela cena emotiva onde eu tenho que deixá-lo ir e ficar na praia com Juliet. Teve um pouco de tudo pra eu fazer em vários sets interessantes.
Em termos de momentos importantes para Alex, um deles é quando Sayid diz que ela parece muito com a mãe dela. Naquela situação Alex fica tão chocada ao ouvir alguém mencionar sua mãe que não tempo para reagir de acordo. Então a idéia começa a se fixar e tudo se permeia pelo resto da temporada. Obviamente, o reencontro de Alex e Danielle foi um grande momento para Alex também!

E para você, Michael?

ME – Mesmo quando ele estava na mesa de operação, Ben estava alguns passos na frente de todos. Fiquei feliz de ver que a mudança na personalidade de Ben foi recompensada. Não foi à toa que ele atirou em John Locke para retomar sua liderança solitária e querendo a vida simples e militante. Mas agora ele está todo embaralhado.
Todos os que trabalham na série ficaram impressionados com a força dos quatro ou cinco últimos episódios. Foi muito dark e com elementos de horror. Foi mais sangrento do que sequer podíamos esperar, mas de uma forma grandiosa. No episódio The Brig, onde eles voltam ao Black Rock com o pai de John Locke – que maneira incrível de amarrar duas estórias de uma vez só. Fazer os passados de Locke e Sawyer colidirem via Ben daquela forma e levá-los a um ponto moral para ver quem faz o quê, foi demais!
Acho que a Ilha ajuda na nossa performance, também. Não há nada como o Sol batendo em seu rosto ou poder ver 20 km mar adentro para dar uma perspectiva sobre a cena que você está interpretando. Se bem que, às vezes, te faz pensar que somos apenas humanos e que nosso meio de contar histórias é tão pequeno se comparado com a majestosidade dos arredores.

Felipe Milano

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